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Na Praça de São Pedro: a simplicidade de Dom Itacir no encontro com o Papa

Sem protocolo, mas com coração aberto, Dom Itacir se aproxima do Papa
e testemunha uma Igreja próxima, humilde e solidária

Notícias da Igreja

04.09.2025 - 17:11:00 | 3 minutos de leitura

Na Praça de São Pedro: a simplicidade de Dom Itacir no encontro com o Papa

No próximo dia 29 de setembro, Dom Itacir Brassiani completará um ano de sua ordenação episcopal. Missionário da Sagrada Família e bispo de Santa Cruz do Sul (RS), ele se encontra em Roma participando do curso promovido pelo Vaticano para os bispos ordenados nos últimos doze meses. São mais de 120 novos pastores, vindos de diferentes continentes, que durante dias partilham formação, oração e experiências de missão.

Foi no coração desses dias que aconteceu o inesperado. No dia 3 de setembro, ao acompanhar a Audiência Geral do Papa na Praça de São Pedro, Dom Itacir não estava programado para uma saudação pessoal. Mas ao apresentar-se como bispo, foi convidado a se aproximar do local reservado aos sucessores dos apóstolos. Ali, sem protocolo e sem preparação, surgiu o encontro.

De calça jeans e camisa clerical, sem a pompa que o momento sugeria, Dom Itacir levou ao Papa as dores e esperanças de seu povo. Falou das enchentes que marcaram a Diocese de Santa Cruz, pediu oração e bênção, e recebeu em troca a escuta atenta, o sorriso sereno e a promessa de proximidade do Sucessor de Pedro.

A simplicidade, longe de ser detalhe, tornou-se sinal. Não apenas nas roupas do dia, mas também nos símbolos que marcam o ministério episcopal de Dom Itacir: o báculo confeccionado com madeira recolhida das enchentes e o anel feito de sementes de tucumã, expressão de uma Igreja que se reconhece solidária, enraizada na vida do povo e aberta ao cuidado da criação.

Sobre o encontro, Dom Itacir comenta com humor: “Fiz piada sobre minhas vestes inadequadas, ao que ele reagiu com um sorriso. Por fim, disse que nos encontraremos de novo no encerramento do curso”. Para o bispo, “estar vestido assim ou assado não é o mais importante, como o é para alguns que desejam ser mais católicos que ele”.

Na catequese daquele dia, o Papa falava sobre as últimas palavras de Jesus na cruz: “Tenho sede” e “Tudo está consumado”. Recordava que Deus não tem vergonha de apresentar-se vulnerável, necessitado, dependente. Convidava à coragem de pedir ajuda, a vencer a autossuficiência que desumaniza. Palavras que ecoaram profundamente na experiência de Dom Itacir, ele mesmo testemunha de uma Igreja que encontra força justamente quando se faz simples e próxima.

Entre a calça jeans e o báculo de madeira, entre o sorriso do Papa e a oração pelo povo ferido de Santa Cruz, fica uma certeza: a missão se fortalece quando a aparência dá lugar à essência.

Fonte Carlos César Pereira Souza
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